Resposta rápida: um teste A/B deve rodar até atingir a amostra calculada antes de começar, sempre em ciclos completos de semana — na prática, o piso saudável é 1–2 semanas e o teto operacional fica em torno de 6. Nem o relógio nem a ansiedade decidem: quem decide é a amostra.
O tempo é consequência, não escolha
A pergunta "quanto tempo rodar?" é, na verdade, "quantos visitantes preciso?" disfarçada. O cálculo vem de três fatores — taxa de conversão atual, melhoria mínima que interessa detectar e rigor estatístico — e devolve um número de visitantes por variante (o guia de tamanho de amostra detalha; a calculadora resolve em 30 segundos). Divida pelo tráfego diário da página e o prazo aparece sozinho. Tudo o mais nesta página são as exceções e os arredondamentos dessa regra.
Por que ciclos completos de semana
O visitante de terça de manhã não é o de sábado à noite: intenção, dispositivo e disposição para comprar variam com o dia. Um teste que roda de segunda a quinta amostra um público enviesado. Por isso, mesmo que a amostra feche em 5 dias, complete os 7 — e prefira múltiplos de semana (7, 14, 21, 28 dias) para que cada dia da semana pese igual nos dois grupos.
O piso: por que não confiar em testes de 3 dias
Além do ciclo semanal incompleto, testes muito curtos sofrem do efeito das primeiras conversões: com poucos eventos, cada conversão individual balança a curva violentamente. O gráfico dos primeiros dias é uma montanha-russa que estabiliza com volume. Decidir nesse período é ler ruído como sinal — a armadilha número 1 de quem começa, explicada em significância estatística.
O teto: quando o teste está longo demais
Passadas ~6 semanas sem conclusão, o teste provavelmente está mal dimensionado: o efeito real é menor que o detectável com esse tráfego. Alongar indefinidamente tem custos escondidos — cookies expiram e usuários trocam de grupo, o contexto muda (campanhas, sazonalidade), e o tráfego preso poderia alimentar a próxima hipótese. As saídas: aumentar a ousadia da mudança, testar numa página de mais volume ou encerrar como inconclusivo e registrar o aprendizado.
Situações que mudam o prazo
- Ciclo de compra longo: se a decisão leva duas semanas (B2B, alto ticket), o teste precisa cobrir o ciclo — medir só a primeira visita corta o efeito no meio.
- Sazonalidade à vista: não atravesse Black Friday com um teste iniciado em época normal; o público muda no meio e contamina os grupos.
- Lançamentos e campanhas grandes: um pico de tráfego frio dilui a conversão dos dois lados; se possível, deixe o teste inteiro dentro ou inteiro fora do período.
- Mais variantes: A/B/C divide o tráfego em três — o prazo cresce proporcionalmente.
Posso encerrar antes se a variante disparar?
Com leitura bayesiana e amostra mínima razoável cumprida, uma probabilidade alta e estável autoriza decisão antecipada consciente — essa é uma vantagem prática da abordagem, explicada em bayesiana vs frequentista. O que não vale, em nenhuma abordagem, é espiar todo dia e parar no primeiro pico favorável: isso multiplica falsos positivos.
Perguntas frequentes
Existe um prazo mínimo universal? Uma semana completa é o piso prático pela representatividade dos dias; a amostra manda no resto.
Meu tráfego fecha a amostra em 2 dias. Rodo 2 dias? Não — complete a semana. Volume alto não compra representatividade de calendário.
O teste pode pausar no fim de semana? Não. Pausar e retomar quebra a comparabilidade dos grupos e enviesa o mix de dias.
Quanto tempo até "ver alguma coisa"? Curvas costumam estabilizar visualmente após algumas centenas de conversões por braço — mas estabilizar não é concluir. A conclusão tem critério, e ele foi definido antes.
Feche o ciclo com o passo a passo completo do teste A/B.